sábado, 1 de janeiro de 2011

Receita de ano novo

Carlos Drummond de Andrade



Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser;
novo
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?)



Não precisa
fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar arrependido
pelas besteiras consumidas
nem parvamente acreditar
que por decreto de esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.



Para ganhar um Ano Novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O Cão de Caça do Céu

Em Jo. 3,16, texto repetido e decorado por milhares de cristãos no mundo, fala-se do amor de Deus...
Amor tão profundo e tão inimaginável a ponto de entregar O Seu Unigênito, O Seu Melhor...
Aquele que estava antes de tudo, Aquele que participou ativamente da beleza inominável da criação, Aquele que deu ao homem fôlego de vida, faz-se um de nós...



Francis Thompson em seu poema "O cão de caça do céu" tenta expressar essa busca de um Deus reconciliador, redentor, "à caça" de um homem rebelde, envolto em seus desejos, mas, que finalmente, se entrega ao amor de Cristo:

Dele fugi, noites e dias adentro;
Dele fugi, pelos arcos dos anos;
Dele fugi, pelos caminhos dos labirintos
De minha própria mente; e no meio de lágrimas
Dele me ocultei, e sob riso incessante.
Por sobre esperanças panorâmicas corri;
E lancei-me, precipitado,
Para baixo de titânicas trevas de temores abissais,
Para longe daqueles fortes Pés que seguiam, seguiam
após mim.
Mas com desapressada perseguição,
E com inabalável ritmo,
Deliberada velocidade, majestosa urgência,
Eles marcavam os passos — e uma Voz insistia
Mais urgente que os Pés —
“Todas as coisas traem a ti, que traíste a Mim”.

[...]

Meu Deus, tu não sabes
O quão pouco digno de qualquer amor tu és!
A quem encontrarás que te ame, ignóbil,
Salva-me, salva só a mim?

[...]

Tudo o que tirei de ti, obstante tirei,
Não por tuas injúrias,
Mas para que tão-somente pudesses buscá-lo em Meus
braços...
Levanta-te, segura a Minha mão, e vem!

[...]

A base do cristianismo é linda, pois é Deus buscando o homem, Deus se revelando ao homem com todo o Seu amor, zelo, misericórdia, graça...


Se amamos a Cristo, é porque ele nos amou primeiro (1 Jo 4.19)


Franci

sábado, 18 de setembro de 2010

Eu olhei o meu dia

Palavrantiga

Composição: Marcos Oliveira de Almeida

Eu olhei o meu dia, percebi
Que Tu és melhor que uma canção de amor
Muito mais do que eu canto
Sob os cantos do mundo
Um minuto contigo é melhor do que tudo

É por isso que estar a ouvir Tuas palavras
É olhar pra minha alma e saber que em Ti sou feliz

Me esconda em Ti
Eu preciso andar no Teu Caminho
Teu amor sobre mim
Muda os meus passos, ilumina meu rosto

Eu olhei o meu dia, percebi
Que Tu és melhor que uma canção de amor
Toda arte que eu faço
Todo som entoado
Não é mais que uma grande vontade de Te conhecer

Meu amor, sei que és o meu Deus e mistério
E o Teu filho Jesus é na Cruz caminho de paz

Me esconda em Ti
Meu Deus, eu preciso andar no Teu Caminho
Teu amor sobre mim
Muda os meus passos, ilumina meu rosto

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

HB - Metal Sinfônico

A finlandesa HB é uma banda de metal sinfônico formada em 2002, na cidade de Forssa. O estilo do grupo refere-se a uma vertente do heavy metal que agrega elementos da sinfonia clássica (orquestra), simulados com o uso de teclados e sintetizadores eletrônicos, e que é marcado pela presença de vocais líricos, bem característicos da música erudita. O primeiro trabalho oficial saiu em 2003 com “Uskon Puolesta”. Antes disso, porém, o EP demo “HB”, de 2002, já lançava o nome da banda e apresentava sua proposta musical. Um novo álbum só surgiu em 2006: “Enne”, trabalho que de fato identifica a banda com seu estilo, já que “Uskon Puolesta” não marca em quase nada a singularidade do symphonic metal. O terceiro álbum, “Frozen Inside”, de 2008, é uma versão em inglês de “Enne”. Como o finlandês não é um idioma muito simpático e prático aos estrangeiros, a idéia da regravação gerou mais visibilidade ao grupo e atraiu novos fãs. No final de 2008, a banda lançou o álbum de inéditas “Piikki Lihassa”, anunciado como o melhor dentre todos até agora.
Além do som inovador e atraente do HB, o que também chama a atenção é a letra bastante incisiva e direta acerca do Evangelho nas composições. Isso está bem marcado no clip da música “It Is Time”, do álbum “Frozen Inside”:


http://www.youtube.com/watch?v=5yscedGVSY4&feature=player_embedded

Fonte: Blog Amplificador

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Frutos

Por C. H. Spurgeon


Texto base: Oséias 14.8


Nosso fruto procede de nossa união com Deus. O fruto do galho tem sua origem diretamente vinculada à raiz. Quando cortamos a ligação do galho, este morre e não produz nenhum fruto. Pela virtude de nossa união com Cristo, produzimos fruto. Todo cacho de uvas esteve primeiramente na raiz. Passou pelo tronco, seguiu pelos vasos de seiva, moldando-se exteriormente em um fruto. De modo semelhante, toda boa obra do crente estava primeiramente em Cristo e, posteriormente, foi produzida em nós.



FONTE: Orthodoxia
Extraído do livro Leituras Diárias, Vol. 2, Editora Fiel

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Jesus é a Porta

Letra de Toney Fontes


Deus criou o homem
À Sua imagem e o abençou.
Tem um plano para ele.

O homem pecou
E pelo pecado a morte entrou no mundo
Ele se afastou de Deus!
Não ouviu, ó Deus, Tua voz!
Terra, ó Terra!
Há quanto tempo Deus vem te chamando!...

Jesus veio ao mundo,
O homem não quis,
Amou mais as trevas do que a luz!
Jesus é o caminho para o homem seguir!
Verdade e Vida só há em Jesus!

Jesus é a porta que nos leva a Deus!
Ele é a porta que nos leva a Deus!
Jesus é a porta!

quarta-feira, 9 de junho de 2010

O cristianismo por trás de Nárnia - Alegorias, mitos e a bíblia

Por Jessica Grant, do Fala Nárnia


Aslam significa leão. É um personagem que morre pelos outros e depois volta a viver. É filho do Imperador do Além Mar. Mudando de história, os judeus tinham uma promessa de um messias, o rei deles, filho de Deus, que viria a terra para salvá-los e morrer por eles. Chamavam-no de Leão de Judá. Para os cristãos, este é Cristo, que morreu e ressuscitou. Simples coincidências? Ecos da fé do escritor das Crônicas de Nárnia, C. S. Lewis? Ou algo a mais?

As Crônicas de Nárnia são sete livros que C.S.Lewis escreveu nas décadas de 40 e 50. Sete, por sinal, é um número recorrente na história judaico-cristã, considerado o “número da perfeição” dentro da simbologia religiosa. Há leitores que insistem na ideia de que Nárnia é só mais uma história, só mais um livro dentro da literatura imaginária infantil. Mas são tantas as comparações com o cristianismo, que fica difícil achar que realmente não há semelhanças. Lewis, ele mesmo, já tinha sido ateu, mas tornou-se um cristão e escritor de diversos clássicos da teologia britânica do século XX, como Cristianismo Puro e Simples, Cartas do Diabo a seu Aprendiz e O Peso da Glória. Nada mais coerente do que transpor alguns dos seus conhecimentos – e, muitas vezes, teorias complexas – em sua literatura infantil. Da mesma forma, Lewis escreveu alguns livros mais adultos, entre estes a Trilogia de Ransom.

Nárnia, portanto, seriam histórias repletas de pequenas lições, alegorias das histórias bíblicas e apresentações de teorias de Lewis. Há quem diga que Nárnia pode ser até real, mas isso não há como discutir. Quando Lewis decidiu escrever os livros, provavelmente queria passar ensinamentos para as crianças, talvez dar uma chance delas conhecerem tudo aquilo que perderam junto com seus pais na II Guerra Mundial. Professor que era, apaixonado pela mitologia e ainda abrigando quatro crianças, nada mais normal da parte do escritor.

Para compreender o caráter alegórico, é preciso entender o significado desta figura de linguagem. Se a ‘metáfora’ é quando a identidade de algo é firmado com um atributo que tem em comum com outro elemento, ambos retirados da realidade e quase sempre usado de forma curta na literatura, este termo não basta para Nárnia. Já a ‘alegoria’, muitas vezes usada na retórica, é a “representação concreta de uma ideia abstrata”, muitas vezes mítica, expressa na fabulação (A Alegoria, Flávio R. Kothe). Nárnia é exatamente isto, a fábula composta para representar uma ideia; elementos concretos, nem sempre retirados da realidade, usados para significados abstratos.

Como o livre-docente em Crítica Literária e Literatura Comparada Flávio R. Kothe exemplifica, São Jorge e o dragão é uma história alegórica do bem e do mal. Nárnia, portanto, é uma alegoria do cristianismo, com a licença poética de Lewis. Kothe também lembra que há várias leituras possíveis das alegorias, nunca uma só interpretação, mas é necessário interpretar via exegese, ou seja, levando em conta o contexto histórico. Nárnia, por sua vez, sempre é melhor compreendida se estudarmos quando foram escritas e os outros escritos de Lewis.

O passado de Lewis, também, ajuda na compreensão de Nárnia. O caráter alegórico não é somente uma licença poética, uma figura de linguagem na literatura infantil cristã. Para Lewis tinha um significado mais especial na história de sua conversão ao cristianismo. Ateu convicto, Lewis, como ele mesmo contou em Surpreendido pela Alegria, um dia passou a acreditar em Deus. Mas era um mero teísmo, ele não estava convencido de que o cristianismo era real.

David Downing, em sua obra C.S.Lewis: o mais relutante dos convertidos, conta como no dia 1º de outubro de 1931 Lewis escreveu para seu amigo Arthur que não cria somente mais em Deus, mas em Cristo. O ponto da conversão ao cristianismo de fato teria sido uma conversa com o acadêmico Hugo Dyson e o escritor J.R.R. Tolkien (sim, o pai de O Senhor dos Anéis era amigo íntimo de Lewis, e estes três participaram de um mesmo grupo de discussões literárias). O aspecto final que faltava para Lewis se tornar um cristão era justamente ligado com a interpretação dele das mitologias, o que pode explicar o fato dele ter criado mais uma mitologia para dar eco ao cristianismo.

“(…) Os três haviam começando a falar sobre metáfora e mito logo após o jantar, continuando a conversa enquanto caminhavam ao longo do Addison’s Walk perto do alojamento de Jack no Magdalen College e só foram dormir às quatro da manhã. Essa conversa pode muito bem ser considerada o momento decisivo na vida de Jack [apelido de C.S.Lewis], pois o ajudou a resolver questões com que ele se vinha debatendo desde a infância. De modo específico, proporcionou-lhe um modo de entender a encarnação como o cumprimento histórico dos mitos do Deus-que-morre encontrados em muitas culturas. Tolkien e Dyson, que compartilhavam a reverência de Lewis pelo mito, pelo romance e pelos contos de fadas, mostraram-lhe que a mitologia revela sua própria espécie de verdade e o cristianismo é mitologia verdadeira. Lewis insistira que os mitos não passavam de ‘mentiras proferidas por meio de prata’, mas eles responderam que o mito era mais bem explicado como ‘um vislumbre real, embora desfocado, da verdade divina incidindo sobre a imaginação humana’. Argumentavam que um dos grandes mitos universais, o do Deus-que-morre em sacrifício pelo povo, mostra uma consciência inata da necessidade de redenção não por meio das obras pessoais, mas como dom proveniente de alguma esfera superior. Para eles, a encarnação [de Deus em Cristo] era o ponto principal em que o mito se tornava História. A vida, a morte e a ressurreição de Cristo não só concretizavam tipos do Antigo Testamento, mas também corporificavam – literalmente – motivos centrais encontrados em todas as mitologias do mundo. (…) Para Lewis, o cristianismo passaria a ser, dali por diante, a principal fonte de todos os mitos e histórias de encantamento, a chave de todas as mitologias, o mito que desabrocha em história.”

Comparações montadas, alegoria do cristianismo. Lewis compôs em Nárnia mais um mito de Cristo e a história de seu povo, provavelmente buscando com isso atingir as crianças, ganhar uma porta na história delas para Cristo, que tanto fez diferença na vida dele. A série “O Cristianismo por trás das Crônicas” busca desvendar diversos destes traços cristãos nas obras narnianas, características que já guiaram o caminho de muita gente e ilumina os olhos de outros. Convido vocês para abrir a porta do armário e conhecer Nárnia pelas suas influências.

Fonte: site Mundo Nárnia