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sexta-feira, 9 de julho de 2010

Frutos

Por C. H. Spurgeon


Texto base: Oséias 14.8


Nosso fruto procede de nossa união com Deus. O fruto do galho tem sua origem diretamente vinculada à raiz. Quando cortamos a ligação do galho, este morre e não produz nenhum fruto. Pela virtude de nossa união com Cristo, produzimos fruto. Todo cacho de uvas esteve primeiramente na raiz. Passou pelo tronco, seguiu pelos vasos de seiva, moldando-se exteriormente em um fruto. De modo semelhante, toda boa obra do crente estava primeiramente em Cristo e, posteriormente, foi produzida em nós.



FONTE: Orthodoxia
Extraído do livro Leituras Diárias, Vol. 2, Editora Fiel

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O pastor das crianças



Charles Haddon Spurgeon


Simão Pedro não era galês, mas tinha muito do que chamamos de fogo galês dentro de si. Era exatamente o tipo de homem que a criançada achava interessante. As crianças acham o máximo reunir-se em volta de um fogo, seja na lareira ou no coração. Certas pessoas parecem ser formadas de gelo, e dessas crianças logo fogem: as congregações ou classes se tornam menores a cada domingo quando criaturas frias e insensíveis têm a autoridade sobre eles. Mas quando um homem ou mulher tem um coração bondoso, as crianças parecem se reunir prontamente, como moscas em dias de outono se agregam num muro quente ensolarado. Por isso, Jesus diz a Simão, o de coração caloroso: "Cuide de meus cordeiros." Ele é o homem para a posição.

Simão Pedro era, além disso, um homem experimentado. Conheceu sua própria fraqueza; tinha sentido as pontadas de consciência; tinha pecado muito e sido muito perdoado, e agora foi levado em terna humildade a confessar o amor e amabilidade de Jesus. Queremos homens e mulheres experimentados para falar com crianças convertidas, e para contar-lhes o que o Senhor já fez por eles, e quais foram seus perigos, seus pecados, suas tristezas e seus consolos. Os novos se alegram ao ouvir a história daqueles que já foram mais longe na estrada do que eles. Posso dizer dos santos experimentados: seus lábios guardam conhecimento. A experiência contada com amor é alimento apropriado para jovens crentes, instrução que o Senhor certamente abençoará na nutrição deles na graça.

Simão Pedro era agora um grande devedor. Devia muito a Jesus Cristo, de acordo com aquela regra do reino — ama muito aquele a quem muito foi perdoado. Ah, você que nunca entrou nesse trabalho para Cristo, mas realmente poderia fazê-lo bem, apresente-se imediatamente e diga: "Eu deixei esse trabalho para mãos mais jovens, mas não farei mais isso. Eu tenho experiência e confio que ainda tenha um coração quente em meu peito. Irei e me unirei a esses trabalhadores que estão ocupados com a alimentação dos cordeiros em nome do Senhor."

Quando o Senhor chama um homem para um trabalho, ele lhe dá o preparo necessário para isso. Como Pedro foi preparado para alimentar os cordeiros de Cristo? Primeiro, sendo alimentado ele mesmo. O Senhor lhe deu uma alimentação antes de lhe dar uma comissão. Você não pode alimentar cordeiros, nem ovelhas, a não ser que tenha sido alimentado. É muito certo você estar ocupado instruindo em grande parte do dia do Senhor; mas um professor é muito insensato se não for ouvir o evangelho pregado e receber uma refeição para sua própria alma. Primeiro, deve ser alimentado e depois alimentar.

Mas Pedro foi especialmente preparado para alimentar os cordeiros por estar com seu Mestre. Ele nunca haveria de esquecer aquela manhã e todos os detalhes que aconteceram. Foi a voz de Cristo que ele ouviu; foi o olhar de Cristo que o atingiu no coração; ele respirou o ar que envolveu o Senhor ressuscitado, e essa comunhão com Jesus perfumou o coração de Pedro e afinou a sua fala para que pudesse sair e alimentar os cordeiros. Eu lhes recomendo o estudo de livros instrutivos, mas, sobretudo, lhes recomendo o estudo de Cristo. Que ele seja sua biblioteca. Chegue pertinho de Jesus. Uma hora de comunhão com Jesus é o melhor preparo para lecionar os novos ou os velhos.

Pedro também foi preparado de um modo mais doloroso do que esse, isto é, pelo auto-exame. A pergunta lhe veio três vezes seguidas: "Simão, filho de Jonas, tu me amas? Tu me amas? Tu me amas?" Muitas vezes, o recipiente precisa de ser areado com auto-exame antes que o Senhor possa usá-lo adequadamente para levar a água viva a sedentos. Nunca faz mal a um homem de coração sincero examinar seu próprio espírito, e ser sondado e experimentado por seu Senhor. É o hipócrita que teme a verdade que testa sua profissão; ele receia falas e meditações importunas; mas o homem genuíno quer saber com toda certeza que ele realmente ama Cristo, e por isso examina o seu interior e interroga e testa a si mesmo.

Esse exame deve ser exercitado principalmente com respeito ao nosso amor; pois o melhor preparo para ensinar os cordeiros de Cristo é o amor — amor por Jesus e por eles. Não podemos ser sacerdotes a seu favor a não ser que, como Arão, usemos seus nomes sobre nosso peito. Precisamos amar ou então não podemos abençoar. Ensinar é trabalho mal-feito quando o amor se vai; é como um ferreiro trabalhando sem fogo, ou um construtor sem argamassa. Um pastor que não ama suas ovelhas é um mercenário e não um pastor; fugirá na hora do perigo e deixará seu rebanho para o lobo. Quando não há amor não há vida; cordeiros vivos não podem ser alimentados por homens mortos. Pregamos e ensinamos o amor: nosso assunto é o amor de Deus em Cristo Jesus. Como podemos ensinar isso se nós não temos amor? Nosso alvo é criar amor no coração daqueles que ensinamos, e nutri-lo onde já existe; mas como podemos transmitir o fogo se não está aceso em nosso próprio coração? Como pode nutrir a chama aquele que tem mãos úmidas, gotejando de mundanismo e indiferença, de modo que age no coração da criança mais como um balde de água do que como uma chama de fogo? Esses cordeiros do rebanho vivem no amor de Cristo: não vão viver em nosso amor? Ele os chama seus cordeiros, e eles o são; será que nós não os amaremos por amor a ele? Foram escolhidos em amor; foram redimidos em amor; foram chamados em amor; foram lavados em amor; foram alimentados com amor, e serão guardados por amor até que cheguem aos pastos verdes do alto dos morros no céu. Você e eu estaremos fora de sintonia com o vasto maquinário do amor divino a não ser que nossa alma esteja cheia do zelo afetuoso para com o bem dos amados. O amor é o maior preparo para o ministério, quer seja exercitado na congregação ou na classe. Ame, e depois alimente. Se você ama, alimente. Se não ama, então, aguarde até que o Senhor lhe tenha vivificado, e não use sua mão não santificada nesse trabalho sagrado.

Com os fracos do rebanho, com os novos convertidos do rebanho, com as criancinhas do rebanho, nossa principal atividade é alimentar. Cada sermão, cada lição, deverá ser um sermão que alimente, e uma lição que alimente. Pouco adianta ficar à frente de todos e bater na Bíblia e exclamar "Acredite, acredite, acredite!", quando ninguém sabe o que é para ser acreditado. Não vejo utilidade nenhuma em violinos e tamborins, pois nem cordeiros nem ovelhas podem ser nutridos com orquestras de instrumentos de metal. Deve haver doutrina, doutrina sólida, sadia, evangélica para ser alimento de verdade. Quando tiver um pernil na mesa, então, deve chamar todos para a refeição com a sineta; mas essa sineta não alimenta ninguém se a comida não for servida. Conseguir que as crianças se reúnam pela manhã e pela tarde é um desperdício dos pés delas e dos seus se você não colocar diante delas a verdade salvadora e sustentadora de almas. Alimente os cordeiros; você não precisa tocar flauta para eles, nem pôr guirlandas em seu pescoço; mas alimente-os.

Dar esse alimento é trabalho humilde, despretensioso, sem ostentação. Você conhece o nome de algum pastor de ovelhas? Posso até conhecer uma ou duas pessoas que seguem essa vocação, mas nunca ouvi ninguém falar deles como sendo grandes homens; seus nomes não estão nos jornais, nem ouvimos falar deles como profissionais que entram na justiça com uma queixa, reivindicando leis para que sejam notados. Os pastores são geralmente pessoas quietas, discretas. Ao vermos um pastor, não percebemos diferença entre ele e um lavrador. Ele caminha sem reclamar durante todo o inverno e, no começo da primavera, não descansa nem de dia nem de noite porque os carneirinhos precisam dele; isso acontece ano após ano, mas ele nunca ganhará uma "insígnia imperial", nem será elevado à nobreza, embora possa ter feito um trabalho bem mais útil do que aqueles que entram flutuando para altos postos sobre seus próprios barris de chopes. Então, no caso de muito professor fiel de criancinhas, ouve-se pouco sobre ele, mas ele faz uma grande obra pela qual os tempos futuros o chamarão de bem-aventurado. Seu Mestre conhece tudo a seu respeito, e naquele dia futuro ouviremos falar dele; talvez não antes.

É trabalho cuidadoso, também, alimentar os cordeiros, pois eles não podem comer qualquer coisa, especialmente os cordeiros de Cristo. É perigoso transmitir um ensino ruim que quase envenena os pequenos crentes. Se os homens devem dar atenção ao que ouvem, devemos cuidar mais daquilo que nós ensinamos. É um trabalho cuidadoso alimentar cada cordeiro separadamente, e ensinar a cada criança a verdade que ela está mais apta a receber.

Além disso, é trabalho contínuo. "Alimente meus cordeiros" não é uma tarefa para uma temporada, e sim para sempre. Os cordeiros não poderiam viver se o pastor só lhes alimentasse uma vez por semana. Creio que morreriam entre um domingo e outro; portanto, os bons professores dos jovenzinhos cuidam deles todos os dias da semana conforme têm oportunidade, e cuidam de suas almas com oração e exemplo santo quando não os estão ensinando com a palavra falada. O pastoreio de carneirinhos é trabalho de todo dia, toda hora. Quando o trabalho de um pastor termina? Quantas horas por dia ele trabalha? Ele lhe dirá que no tempo em que as ovelhas dão cria ele nunca termina. Ele dorme quando pode e logo desperta para agir. É assim com aqueles que alimentam os cordeiros de Cristo; eles não descansam até que Deus salve e santifique seus caros cordeirinhos.

É também um trabalho árduo, e quem não se empenha nele terá uma conta terrível a acertar. Você pensa que a vida de um ministro é fácil? Eu lhe digo que aquele que a torna fácil, a achará bastante dura quando chegar a morte. Nada deixa um homem mais cansado do que o cuidado de almas; assim é em parte com todos que ensinam — não podem fazê-lo bem sem se entregar. A pessoa precisa estudar a lição; precisa trazer algo com carinho para sua classe: precisa instruir-se. Muitas vezes, somos bastante pressionados para encontrar assunto, e queremos saber como vamos conseguir passar pelo próximo dia do Senhor. Ninguém ousa correr para sua classe despreparado e oferecer ao Senhor aquilo que não lhe custou nada. Precisa haver trabalho se o alimento deve ser colocado sabiamente diante dos cordeiros, para que possam recebê-lo.

E tudo isso tem de ser feito com um espírito excelente; o verdadeiro pastor é uma amálgama de muitas graças preciosas. Ele é caloroso com zelo, mas não é inflamado com paixão; é bondoso, contudo, governa sua classe; ele é amoroso, mas não fecha os olhos numa piscada ao pecado; tem poder sobre os cordeiros, mas não é imperioso nem sarcástico; tem bom humor, mas não frivolidade; liberdade, mas não licenciosidade; seriedade, mas não cara fechada. Quem cuida dos cordeiros também deve ser um cordeiro; e bendito seja Deus, há um cordeiro diante do trono que cuida de todos nós, e que faz isso com mais eficácia porque ele é em todas as coisas feito como nós. O espírito pastoral é um dom raro e inestimável. Um pastor bem-sucedido ou um mestre bem-sucedido em uma escola revelará ter características especiais que o distinguem de seus pares. Um pássaro que está sentado sobre seus ovinhos, ou quando as avezinhas acabam de sair da casca, tem ali um espírito maternal, de modo que dedica toda sua vida à alimentação dos pequeninos; outros pássaros podem estar achando prazer no vôo, mas este passarinho se senta quietinho durante todo o dia e a noite e então seus únicos vôos são para providenciar alimento para os bicos abertos que parecem nunca se fartar. Uma paixão tomou conta do pássaro; e algo assim acontece com o verdadeiro ganhador de almas — ele morreria alegremente para ganhar almas; ele se consome, suplica, labuta para abençoar aqueles nos quais pôs seu coração. Se esses podem pelo menos ser salvos, ele empenharia a metade de seu céu por isso; sim, e às vezes em momentos de entusiasmo ele está disposto a trocar o céu completamente por almas ganhas e, como Paulo, poderia se desejar maldito, apenas para que eles fossem salvos. Muitos podem não entender essa bendita extravagância porque nunca a sentiram; possa o Espírito Santo trabalhar isso em nós para que atuemos como pastores verdadeiros pelos cordeiros. Este, então, é o trabalho: "Alimente meus cordeiros".


(Charles Spurgeon, Pescadores de Crianças, capítulo 4 "O pastor das crianças")

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Não impeçam as crianças




Charles Haddon Spurgeon

Há algum tempo, uma pessoa que quis, suponho eu, fazer com que sentisse minha própria insignificância, me escreveu para dizer que havia se encontrado com alguns negros que tinham lido meus sermões com grande prazer; e essa pessoa acreditava que eram muito adequados para eles. Sim, minha pregação era justamente o tipo de coisa para esses homens. O remetente nem sonhava que me dava um prazer muito sincero; pois se sou compreendido por pessoas pobres, por empregadas, por crianças, estou certo de que posso ser entendido por outros.

Ambiciono pregar ao mais humilde, ao mais simples e desprezado. Nada é mais importante do que ganhar o coração dos despretensiosos, como também ganhar o coração das crianças. As pessoas, às vezes, falam à respeito de alguém: "Ele só serve para ensinar crianças: pregador ele não é." Pois eu lhes digo, à vista de Deus, não é pregador quem não se importa com as crianças. Deveria haver pelo menos uma parte de cada sermão e culto que agradasse aos pequenos. É um erro aquilo que permite que esqueçamos disso.

Os pais também pecam quando omitem a religião da educação de seus filhos. Talvez a idéia seja que suas crianças não podem ser convertidas enquanto são crianças, e então acham o lugar onde eles estudam nos seus tenros anos inconseqüente. Mas isso não é verdade. Muitos pais esquecem-se disso até quando suas meninas e meninos estão nos últimos anos da escola. Mandam-nos para outros países, a lugares com toda sorte de perigo moral e espiritual, com a idéia de que lá poderão completar os estudos elegantemente. Em quantos casos eu vi essa instrução completada, e ela produziu moços que são consumados libertinos, e moças que só sabem flertar. Conforme se semeia, se colhe. Vamos esperar que nossos filhos conheçam o Senhor. Que desde o início combinemos com seu "ABC" o nome de Jesus. Que leiam suas primeiras lições da própria Bíblia. É notável o fato de que as crianças não aprendem a ler de nenhum outro livro tão rapidamente como do Novo Testamento; há um encanto no livro que atrai a mente infantil. Mas nunca sejamos culpados, como pais, de esquecer o treinamento religioso de nossas crianças; porque, se deixarmos isso esquecido, poderemos ser culpados do sangue de suas almas.

Outro resultado é que a conversão de crianças não é esperada em muitas de nossas igrejas e congregações. Ou seja, não se espera que as crianças sejam convertidas enquanto crianças. A teoria é que, se podemos estampar sobre a mente das crianças bons princípios que lhes possam ser úteis em anos vindouros, já fizemos o suficiente; mas converter crianças enquanto crianças e considerá-las como sendo tão crentes como adultos, é visto como absurdo. A esse suposto absurdo, eu me agarro de todo o coração. Creio que das crianças é o Reino de Deus, tanto na Terra como no céu.

Outro problema é que não se acredita na conversão de crianças. Certos indivíduos desconfiados sempre afiam seus dentes quando ouvem falar de uma criança recém convertida: querem avançar para tirar um naco dela se puderem. Insistem, corretamente, que essas crianças sejam examinadas com cuidado antes de serem batizadas e admitidas na igreja; mas estão errados em insistir que só em casos excepcionais devem ser recebidas. Concordamos com eles quanto ao cuidado a ser exercido; mas deve ser o mesmo em todos os casos, nem mais nem menos nos casos de crianças.

É muito freqüente as pessoas esperarem de meninos e meninas a mesma solenidade de comportamento de pessoas mais velhas! Seria um bem para todos nós se nunca tivéssemos deixado de ser meninos e meninas, e tivéssemos acrescentado a todas as excelências de uma criança as virtudes de um homem. Certamente, não é necessário matar a criança para fazer o santo! Os mais severos pensam que um pequeno convertido deve ficar vinte anos mais velho em um minuto. Certa vez, um indivíduo muito solene me chamou do playground e me admoestou sobre a impropriedade de eu jogar uma brincadeira de armadilha, bastão e bola com os meninos. Ele disse: "Como você pode brincar como os outros, se você é um filho de Deus?" Respondi que eu tinha a responsabilidade de conduzir as pessoas aos assentos na igreja, e fazia parte de minhas obrigações participar dos passatempos dos garotos. Meu crítico venerável achou que isso alterava bem o assunto; mas estava claro que sua visão era que um menino convertido nunca deveria brincar!

As pessoas não esperam das crianças uma conduta mais perfeita do que elas próprias demonstram? Se uma criança crente tem um acesso de raiva, ou age mal em algum caso pouco importante por esquecimento, ela é condenada na hora como sendo um pequeno hipócrita por aqueles que estão longe de ser perfeitos. Jesus diz: "Cuidado para não desprezarem um só destes pequeninos." Cuidado para não dizerem nenhuma palavra cruel contra seus irmãos pequenos em Cristo, suas irmãzinhas no Senhor. Jesus valoriza tanto seus preciosos cordeirinhos que ele os leva em seu seio; e eu encarrego vocês que seguem seu Senhor em todas as coisas a mostrarem ternura semelhante aos pequenos da família divina.

"Alguns traziam crianças a Jesus para que ele tocasse nelas, mas os discípulos os repreendiam. Quando Jesus viu isso, ficou indignado." Ele não ficava indignado com freqüência, certamente. E quando ficou, sabemos que o caso era sério. Indignou-se por essas crianças serem empurradas para longe dele, uma vez que essa atitude era contrária ao seu pensamento sobre elas. Os discípulos fizeram mal às mães; eles repreenderam os pais por fazerem um ato materno--por fazerem, de fato, aquilo que Jesus amava que fizessem. Levavam seus pequenos a Jesus por respeito a ele; valorizavam uma bênção que viesse de suas mãos mais do que ouro; tinham certeza de que uma bênção de Deus viria, com o toque do grande Profeta. Podem ter esperado que um toque da mão de Jesus tornasse a vida de seus filhos alegre e feliz. Embora possa ter havido algo de fraqueza no pensamento dos pais, mesmo assim o Salvador não podia julgar duramente aquilo que surgiu de reverência pela sua pessoa. Por isso, ele indignou-se bastante ao pensar que aquelas boas senhoras, que quiseram prestar-lhe honra, fossem rudemente impedidas.

Fez-se também um mal às crianças. Os doces pequeninos! O que eles tinham feito para serem repreendidos por virem a Jesus? Não tencionavam atrapalhar. Pobrezinhos! Teriam caído a seus pés em amor reverente para com o Mestre de doce voz que encantava não só homens, mas crianças também, com suas palavras ternas. Os pequenos não tencionavam mal, e por que levariam a culpa?

Além disso, também havia o mal feito a ele próprio. Poderia deixar as pessoas pensando que Jesus era durão, reservado e auto-suficiente, como os rabinos. Ora, se pensassem que ele não podia condescender a crianças, teriam caluniado tristemente o bom nome de seu grande amor. Pois seu coração era um grande porto onde muitas embarcaçõezinhas poderiam ancorar. Jesus, o homem-criança, nunca esteve mais à vontade do que com crianças. Jesus, a criança santa, tinha afinidade com crianças. Seria ele representado pelos seus próprios discípulos como alguém que fecharia a porta para as crianças? Isso prejudicaria seu caráter. Portanto, entristecido pelo mal triplo que feriu mães, crianças e a si mesmo, ele ficou indignado. Qualquer coisa que fazemos para impedir uma querida criança de vir a Jesus desagrada ao nosso querido Senhor. Ele exclama: "Abram espaço. Deixe-os em paz. Que venham a mim, e não os impeçam.

"Outra coisa: isso era contrário ao seu ensino; pois ele prosseguiu para dizer: "Quem não receber o Reino de Deus como uma criança, nunca entrará nele." O ensino de Cristo não era o de que existe algo em nós que nos capacita para o Reino; e que um certo número de anos poderá nos tornar capazes de receber graça. Seu ensino era todo em outra direção, ou seja, de que nós não devemos ser nada, que quanto menos somos e quanto mais fracos, melhor; pois quanto menos temos do eu, mais espaço há para a graça divina dele. Você pensa chegar a Jesus subindo a escada do saber? Desça; você se encontrará com ele ao pé dela. Pensa alcançar Jesus subindo o morro íngreme da experiência? Desça, meu caro escalador; ele está na planície. "Ah! mas quando eu for velho, então estarei preparado para Cristo." Fique onde você está, jovem; Jesus o encontra na porta da vida; você nunca esteve mais preparado para se encontrar com ele do que justamente agora. Ele nada pede de você a não ser que não seja nada, e que ele possa ser tudo em tudo para você. Este é o ensinamento dele, e mandar afastar a criança porque ela não tem isto ou aquilo é resistir abertamente à bendita doutrina da graça de Deus.

Mais uma vez, impedir os pequenos era bem contrário à prática de Jesus Cristo. Ele os fez ver isso; porque "tomou as crianças nos braços, impôs-lhes as mãos e as abençoou". Durante toda a sua vida, nada houve nele que se parecesse com rejeição e recusa. Ele disse verdadeiramente: "Quem vier a mim eu jamais rejeitarei." Se ele rejeitasse quaisquer pessoas por serem novas demais, o texto seria declarado falso de imediato, mas isso nunca acontecerá. Ele recebe todos que vêm a ele. Está escrito: "Este homem recebe pecadores e come com eles." Toda a sua vida poderá ser desenhada como um pastor com um cordeiro em seu seio: nunca como um pastor cruel atiçando seus cães atrás de cordeiros e tirando-os de perto, juntamente com suas mães.


(Charles Spurgeon, Pescadores de Crianças, capítulo 2 "Não impeçam as crianças")

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Incentivo aos conquistadores de almas

C. H. Spurgeon

Em Tiago 5:19-20 lemos: "Irmãos, se alguns de entre vós se tem desviado da verdade, e se converter, saiba que aquele que fizer converter do erro do seu caminho um pecador salvará da morte uma alma, e cobrirá uma multidão de pecados".
Tiago é eminentimente prático. Se de fato se trata do Tiago chamado "o Justo", posso compreender como recebeu o título, pois esse traço distintivo do seu caráter patenteia-se na epístola. Se o escritor é "o irmão do Senhor", fez bem em demonstrar tão forte semelhança com seu grande Parente e Senhor, que começou o Seu ministério com o prático sermão do monte. Devemos ser agradecidos ao fato de termos, nas Sagradas Escrituras, alimento para todo tipo de crentes, e emprego para todos os talentos dos salvos. Convinha que os contemplativos fossem supridos de abundantes temas para o exercício do pensamento. Paulo os forneceu. Deu-nos sã doutrina, disposta na simetria característica da ordem exata. Deu-nos pensamentos elevados e ensinamentos profundos. Pôs a descoberto verdades grandiosas pertencentes a Deus. Ninguém que seja propenso à reflexão e à meditação ficará sem nutrição enquanto existirem as epístolas paulinas, pois ele alimenta a alma com maná sagrado.
Para aqueles cujos afetos e imaginação predominantes os inclinam a temas de natureza mais mística. João escreveu frases de ardente devoção e inflamadas de amor. Temos as suas epístolas singelas, mas sublimes - epístolas que, à primeira vista, parecem escritas para crianças. Entretanto, bem examinadas, vê-se que o seu sentido é tão sublime, que mesmo os homens mais desenvolvidos são incapazes de captá-lo plenamente. Desse mesmo apóstolo de olhos e vôo de águia temos as portentosas visões do livro de Apocalipse, onde o assombro, a devoção e a imaginação podem estender e encontrar amplitude para circunvoluções mais completas.
Contudo, sempre haverá uma classe de pessoas mais práticas do que contemplativas, e foi demonstração de sabedoria que houvesse um Tiago, cujo principal objetivo seria desperta-lhes a mente limpa por meio de exortações, e ajudá-las a perseverar nos dons práticos do Espírito Santo. O texto de que estamos tratando é talvez a declaração mais prática da epístola (Tiago 5: 19-20). A epístola inteira arde em chamas, mas esta passagem sobe ao céu em labaredas. É o pon to culminante da carta, bem como sua conclusão. Não se pode dispensar uma palavra destes dois versículos. São como uma espada nua, desprovida de sua bainha ornada de jóias, e apresentada de modo que só se lhe pode notar o gume afiado. Eu gostaria de poder pregar segundo o padrão do texto. Se não puder, pelo menos orarei no sentido de que vocês sejam habilitados por Deus a agir segundo esse padrão. O que lamentavelmente falta em muitos lugares é o viver inteiramente dedicado ao Senhor Jesus. Temos suficientes ornamentos cristãos, mas o de que precisamos é trabalho sólido, diário e concreto a serviço de Deus. Bom será que as nossas vidas, por mais despojadas que sejam dos louros de conquistas literárias ou outras finas realizações, produzam frutos para Deus em forma de almas convertidas por meio dos nossos esforços. Assim, poderão apresentar-se diante de Deus com a beleza da oliveira, beleza que consiste em sua produtividade.

C. H. Spurgeon. O Conquistador de almas. págs, 219 e 220.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Procurar viver o evangelho

C. H. Spurgeon

Alguns de vocês, se não podem falar ou escrever muito, podem ao menos viver o evangelho. Esse é um belo modo de pregar - pregar com os nossos pés. Quer dizer, pregar com a nossa vida, com a nossa conduta, com a nossa conversação. A esposa amorosa, que chora em segredo pelo marido infiel, mas o trata sempre com amabilidade; o filho extremoso, cujo coração está quebrantado pela blasfêmia do pai, mas é muito mais obediente do que costumava ser antes de sua conversão; o criado a quem o patrão amaldiçoa, mas a quem pode confiar a carteira com dinheiro, sem saber que quantia há nela; o homem de negócios, escarnecido por pertencer a outra denominação, mas que é direito como uma linha reta, e que não se deixaria arrastar para nenhuma ação indigna por tesouro nenhum - são estes os homens e mulheres que pregam os melhores sermões. Estes são os pregadores práticos com que vocês podem contar.

Dêem-nos o vosso viver santo, e com ele como alavancas mudaremos o mundo. Com a bênção de Deus, acharemos línguas para anunciar a mensagem, mas a nossa grande necessidade é a das vidas dos cristãos de nossas igrejas como ilustração viva daquilo que nossos lábios digam. O evangelho se parece um tanto com um jornal ilustrado. As palavras do pregador são a letra impressa, e os clichês ilustrativos são os homens e mulheres que formam as nossas igrejas. Quando o povo pega um jornal desses, muitas vezes não lê o impresso, mas sempre olha as figuras; o mesmo acontece na igreja, os de fora talvez não venham ouvir o pregador, mas sempre ponderam, observam e criticam as vidas dos membros da igreja. Portanto, caros irmãos e irmãs, se querem ser conquistadores de almas, procurem viver intensamente o evangelho. " Não tenho maior gozo do que este: o de ouvir que os meus filhos andam na verdade".

O Conquistador de Almas,PES, C. H. Spurgeon, pág. 180.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Não só testemunhas e advogados, mas também exemplos.



C. H. Spurgeon

Na igreja cristã precisamos fazer maior uso da arte do chamariz; quer dizer, o exemplo, indo nós mesmos a Cristo, vivendo nós mesmos piedosamente em meio a uma geração perversa; nosso exemplo de alegria e tristeza, nosso exemplo de santa submissão à vontade de Deus na adversidade, e em toda forma de procedimentos benévolos, será o meio de induzir outros a entrarem no caminho da vida.
Naturalmente ninguém vai pôr-se a falar na rua sobre o seu exemplo pessoal.; mas não há pregador ao ar livre que não seja mais conhecido do que ele pensa. No seio da multidão pode haver alguém que conhece a tua vida particular. Uma vez ouvi falar de um pregador de praça pública a quem um ouvinte gritou: "Ah, João você não teria coragem de pregar dessa forma em frente da tua casa!" O que acontecera pouco antes, infelizmente, foi que o senhor João havia desafiado seu vizinho para uma briga e, portanto, não é provável que ele pregasse perto de sua casa. Isso fez daquela interrupção um verdadeiro desastre. Se a vida de alguém no lar for indigna, essa pessoa deverá viajar muitos quilômetros antes de levantar-se para pregar e, ao levantar-se, não deverá dizer nada. Os outros não conhecem, irmãos, sabem muito mais de nós do que podemos imaginar - e o que não sabem, inventam. O nosso comportamento e as nossas palavras devem constituir a parte mais poderosa do nosso ministério. Isso é o que se chama ser coerente, quando os lábios e a vida estão de acordo.
Abrevia-se o meu tempo, mas devo dizer uma palavra sobre outro ponto mais. Eu disse que a ação do Espírito Santo depende em grande parte do servo de Deus, mas devo acrescentar que também dependerá muito da classe de pessoas que rodeiam o pregador. O pregador que tenha que ir para o trabalho ao ar livre inteiramente só, estará em situação deveras infeliz. É estremamente proveitoso estar ligado a uma igreja zelosa e dinâmica que estará orando por você. Alguns pregadores são tão independentes que podem realizar seu trabalho sem auxiliares, mas serão sábios se não procurarem causar boa impressão com isso.

O Conquistador de Almas, PES, págs. 126 e 127.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

C. H. Spurgeon - O Conquistador de Almas



Neste livro " O Conquistador de Almas" de 1986 da editora PES, Spurgeon (19 de junho de1834 — 31 de janeiro de 1892) expõe de forma clara e explícita a natureza e os aspectos principais da obra de ganhar almas para Cristo. O livro na verdade é uma junção dos dircursos dirigidos a estudantes do Seminário Teológico e de outras palestras para outros ouvintes , sobre o mesmo tema, que ele denominava "o ofício de maior realeza" - conquistar almas. Separarei alguns trechos do livro...

" Arrepender-se é deixar
pecados antes amados,
e mostrar grande pesar
não os praticando mais."

Em todos os homens, a verdadeira conversão vem aconpanhada do senso do pecado, de que falamos sob o título de convicção; da tristeza pelo pecado, ou seja, do santo pesar por tê-lo cometido; do ódio ao pecado,que prova que o seu dominio terminou; e da fuga prática do pecado, que mostra que a vida no interior da alma influi na vida exterior. Fé verdadeira e arrependimento verdadeiro são gêmeos; seria ocioso tentar dizer qual nasce primeiro. Quando uma roda se move, todos os seus raios se movem juntos; assim, todas as graças começam a agir quando o Espírito Santo opera a regeneração. Contudo, o arrependimento é absolutamente necessário. Nenhum pecador olha para o Salvador com os olhos enxutos e com o coração empedermido. Portanto, procurem quebrantar os corações, levar as consciências a se convencerem da culpa, e afastar as mentes do pecado, e não se dêem por satisfeitos enquanto toda a mente não estiver profunda e vitalmente transformada com relação ao pecado.
Outra prova de que se conseguiu a conquista de uma alma para Cristo se vê na verdadeira mudança de vida. Se o homem não vive diferentemente de como vivia antes, em casa e fora, terá de se arrepender do seu arrependimento, e sua conversão é falsa. E não só o modo de agir e o linguajar deve mudar, mas também o espírito e o temperamento. "Mas", dirá alguém, " a graça muitas vezes é enxertada em rude planta silvestre." Sei disso. Mas, qual é o fruto do enxerto? Será semelhante ao enxerto, e não da natureza do tronco original.

C. H Spurgeon. O Conquistador de Almas, editora PES ( publicações evangélicas selecionadas), 1986, 2ª ed. págs. 23 e 24.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

A minha graça te basta


C. H. Spurgeon

“A minha graça te basta” (II Coríntios 12:9)

Se nenhum dos santos de Deus fosse humilhado e sujeito às provações, não conheceríamos tão bem nem metade das consolações da graça divina. Quando encontramos um andarilho que não tem onde reclinar a cabeça, mas que pode dizer: "mesmo assim confiarei", ou quando vemos um pobre necessitado de pão e água que ainda se gloria em Jesus; quando vemos uma viúva enlutada assolada por aflições e ainda tendo fé em Cristo, oh! que honra isto reflete no evangelho. A graça de Deus é exemplificada e engrandecida na pobreza e nas provações dos crentes. Os santos resistem a todo desalento, crendo que todas as coisas cooperam para o seu bem, e que, entre todas as coisas aparentemente ruins afinal florescerá uma verdadeira bênção - que, ou seu Deus operará um rápido livramento, ou, com toda certeza, os sustentará na provação, enquanto assim Lhe aprouver. Esta paciência dos santos prova o poder da graça divina. Há um farol em alto mar: a noite está calma - não posso dizer se sua estrutura é sólida ou não; a tempestade precisa desabar sobre ele, e só assim saberei se continuará em pé. Assim é com a obra do Espírito Santo: se ela não fosse cercada por águas tempestuosas em muitas ocasiões, não saberíamos que é forte e verdadeira; se os ventos não soprassem sobre ela, não saberíamos o quanto é firme e segura. As obras-primas de Deus são aqueles homens que permanecem firmes, inabaláveis, em meio às dificuldades:

"Calmo em meio ao choro transtornado
Confiante na vitória."


Aquele quer quer glorificar seu Deus deve ter em conta o enfrentar muitas provações. Nenhum homem pode ser reconhecido diante do Senhor a menos que suas lutas sejam muitas. Se, então, o teu for um caminho atribulado, regozija-te nele, pois mostrarás o teu melhor diante da toda-suficiente graça de Deus. Quanto a Ele falhar contigo, jamais penses nisto - odeia este pensamento. O Deus que foi suficiente até agora, o será até o fim.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Venha a Mim e Beba!


Charles Haddon Spurgeon


“No último dia, o grande dia da festa, levantou-se Jesus e exclamou: Se alguém tem sede, venha a mim e beba” (João 7:37).

A paciência tem o seu perfeito trabalho no Senhor Jesus, e até o último dia da festa Ele proclamou aos judeus, assim como neste último dia do ano Ele nos proclama e espera ser gracioso para conosco. É verdadeiramente admirável a longanimidade do Salvador em suportar alguns de nós ano após ano, apesar de nossas provocações, rebeliões e resistência ao Seu Espírito Santo. Maravilha das maravilhas é estarmos na terra da misericórdia!

A piedade expressa-se mais claramente, pois Jesus exclamou, o que implica não somente a altura da sua voz, mas a ternura de seus tons. Ele suplicou para que fôssemos reconciliados. “Oramos por vocês”, disse o apóstolo, “como se o próprio Deus suplicasse a vocês por nosso intermédio”. Que termos fervorosos, emocionantes, são estes! Quão profundo deve ser o amor que faz com que o Senhor chore pelos pecadores, e como uma mãe embale seus filhos em seu regaço! Certamente a cada apelo do Senhor nosso coração desejoso atenderá.

A provisão é feita mais abundantemente; tudo é providenciado para que o homem possa mitigar a sede da sua alma. Para sua consciência, a expiação traz paz; para sua compreensão, o exemplo traz a mais rica instrução; para seu coração, a pessoa de Jesus é o mais nobre objeto de afeição; para todo homem, a verdade como é encontrada em Jesus provê a nutrição mais pura. A sede é terrível, mas Jesus pode removê-la. Embora a alma esteja totalmente faminta, Jesus pode restaurá-la.

A proclamação é feita mais livremente para que cada sedento seja bem-vindo. Nenhuma outra distinção é feita senão a da sede. Quer seja a sede da avareza, da ambição, do prazer, do conhecimento ou de descanso, aquele que sofre disso é convidado. A sede pode ser má em si mesma, e não ser um sinal de graça, mas antes um sinal de pecado imoderado ansiando para ser gratificado com goles mais profundos de lascívia; mas não é a bondade na criatura que leva ao sedento o convite; o Senhor Jesus envia-o, gratuitamente, sem acepção de pessoas.

A personalidade é declarada mais plenamente. O pecador deve vir a Jesus, não a trabalhos, ordenanças ou doutrinas, mas para um Redentor pessoal, que carrega nossos pecados em seu próprio corpo sobre a cruz. O Salvador sangrando, morrendo e ressurgindo é a única estrela da esperança para um pecador. Oh! como anelo por graça, a vir agora e beber, antes que o Sol se ponha no último dia deste ano!

Beber representa uma recepção para a qual nenhuma aptidão é requerida. Um louco, um ladrão, uma prostituta podem beber; e tal pecaminosidade de caráter não é empecilho para o convite ao crente em Jesus. Não precisamos de taça de ouro, nem de cálice adornado, no qual transportar a água para o sedento; a boca da pobreza é convidada a inclinar-se e tomar goles da corrente que flui. Lábios cheios de bolhas, leprosos, sujos podem tocar a corrente do amor divino; eles não podem poluí-la, mas eles serão purificados. Jesus é a fonte da esperança. Caro leitor, ouça a voz amorosa do amado Redentor quando proclama a cada um de nós:

“SE ALGUÉM TEM SEDE, VENHA A MIM E BEBA”.